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Actividades e Grupos de Actividades Logísticas

Neste subcapítulo nomeia-se um conjunto de actividades de natureza logística para uma empresa/organização genérica.

Se seguirmos de perto as contribuições de alguns autores mais entusiastas, a logística “corre  o risco” de entrar em confronto directo com outras áreas do saber empresarial, tantas são as actividades e tão fortes se revelam as conexões. Se, pelo contrário, abordarmos autores onde, porventura, a marca da distribuição física deixou ferida visível, em pequeno número e normalmente ligados a outras áreas do desenvolvimento empresarial, a delimitação é mais cautelosa, mas também, quase sempre, bem mais desprovida de interesse.

Bowersox, ([5]) sem dúvida uma referência de peso, identifica cinco grupos genéricos de actividades logísticas:

  •       a gestão das infra-estruturas da empresa (remetendo para as componentes de gestão e
         
    organização do espaço e da localização óptima de fábricas, depósitos, entrepostos e pontos de
          venda);

  •       a constituição e gestão de stocks;

  •       a comunicação e informação (e os sistemas logísticos relacionados);

  •       a movimentação de materiais/produtos;

  •       o transporte.

A visão é totalmente aderente ao conceito de logística perspectivada nos cânones actuais.

Estes cinco grupos genéricos de actividades servem de guião a esta nossa abordagem. Eles constituem o corpo das actividades logísticas, podendo considerar-se que cada grupo inclui mais ou menos actividades conforme o grau de abrangência que se pretenda. 

No entanto, o limite encontrado traduz um compromisso entre as actividades mais frequentemente citadas pela diversa bibliografia e o universo das possíveis, sem contudo entrar em excessivo pormenor. Parece-nos também correcto que a conceptualização esteja conforme às características efectivas de uma organização genérica a operar em Portugal.

A subscrição de cinco grandes grupos e a posterior exploração  de cada um deles, para a inclusão de várias actividades no seu preenchimento, nada tem a ver com uma tentativa de hierarquização entre elas. A questão que se coloca não é a da importância relativa das actividades, mas antes a do aproveitamento da capacidade de síntese de Bowersox para resumir uma extensão de actividades em apenas cinco grandes agrupamentos, cada um com designação própria.

Fazendo recurso, ainda, a Williamson, Spitzer e Bloomberg ([6]), em referência de substância no tocante à delimitação das mesmas actividades logísticas, introduzimos um contributo central, sendo que estes mesmos autores desenvolveram e publicaram um trabalho extenso de recolha das principais actividades logísticas encontradas na bibliografia da especialidade e na prática empresarial.

Com mais esta óptica fazemos surgir, naturalmente, uma visão própria.

E, recorrendo aos grupos genéricos de actividades propostos acima por Bowersox,  damos corpo substantivo a cada um deles, retratando-os com conteúdo conforme a uma empresa de carácter genérico.

É que, o contributo trazido pelos cinco grupos genéricos de actividades pode levar-nos a considerações mais amplas. Ou seja, cada um dos grupos então referidos constitui por si um agregado com natureza  própria, independentemente do facto de poder existir integração entre todos eles, com um único responsável global e uma correspondente área logística funcional; ou ainda, uma integração forte sob os auspícios de uma visão empresarial de tipo horizontal, consubstanciada por uma óptica de processos.

O nosso propósito é reforçar uma estrutura de actividades onde faça sentido uma visão logística plena (fluxo físico e informacional) e dual, isto é, onde exista trabalho operacional e estratégico. Está, provavelmente, incompleto, embora não deixe de se poder considerar um quadro de orientação para a percepção da centralidade logística, bem como do seu desenvolvimento nas organizações.

Repare-se como as actividades logísticas a que chegámos constituem uma grande parte do total das actividades presentes numa empresa genérica. Prova concreta de que a logística assume, hoje, um papel crescente e chave para o negócio.

Por último, é bom que se faça uma derradeira referência. A compra (purchasing) e o procurement são cada vez mais actividades logísticas. Porque envolvem componentes claras de serviço e necessitam de negociação desse mesmo serviço, sobretudo para introduzirem, na prática e na contratualização, os suportes de serviço, em tempo, custo e qualidade que o mercado exige.

 

   

ACTIVIDADES

GRUPOS de ACTIVIDADES

·       Gestão depósitos/armazéns/centros distribuição.

·       Planeamento de depósitos/armazéns/C.D.

·       Desenho e localização de todo o tipo de instalações, i.e., da rede logística.

·       Opção externalização/exploração própria de  unidades de depósito/armazenagem/ C.D.

·       Manutenção instalações.

 

GESTÃO DAS INFRA-ESTRUTURAS

DA EMPRESA

(mesmo se virtuais,
 embora com componente tangível)

 

·       Gestão de stocks (matérias-primas, produtos em vias de fabrico, produtos finais, tangíveis para serviços ou outros).

·       Controlo de inventários.

·       Gestão de inventários.

·       Compra (purchasing).

·       Serviços de apoio administrativo.

CONSTITUIÇÃO E GESTÃO

DE STOCKS

 

·      Gestão e processamento de ordens de encomenda e gestão do ciclo de encomenda.

·       Previsão da procura e planeamento colaborativo.

·      Controlo logístico (KPI, tableaux de bord ou outros).

·       Gestão da informação logística e seus suportes.

·       Planeamento agregado de capacidade e de produção.

·       Procurement e qualificação de fornecedores.

·       e-sourcing; e-procurement.

·       e-logistics.

COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

·       Movimentação de materiais/produtos e reaproveitamento de desperdícios.

·       Gestão da movimentação de materiais/produtos.

·       Embalagem.

MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS/PRODUTOS

·       Circulação externa/interna (transp. Primário e de matérias primas).

·       Circulação interna/externa (transp. Secundário).

·       Circulação nacional.

·       Circulação internacional.

·       Escolha do modo de transporte.

·       Escolha de frota.

·       Opção frota própria/subcontratada.

TRANSPORTE

Quadro 1.1 - Actividades e grupos de actividades logísticas
 (empresa genérica)
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© Sociedade Portuguesa de Inovação, 1999
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